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quinta-feira, 14 maio, 2026
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Dom Veiga transforma peregrinação em modelo de governança pessoal e propõe revisão estratégica a cada sete anos

Em um cenário empresarial marcado pela aceleração constante, crescimento contínuo e excesso de demandas, uma reflexão proposta por Antonio Carlos Veiga, conhecido como Dom Veiga, vem chamando atenção ao defender uma prática pouco comum entre líderes e executivos: a pausa estratégica para revisão de direção.

Após 27 anos à frente do Adote um Cidadão, organização com atuação nacional voltada à inclusão de pessoas com deficiência, Dom Veiga iniciou mais uma peregrinação entre Roma e Assis, na Itália. A jornada, no entanto, vai além de um propósito espiritual ou pessoal. Ela faz parte de um modelo que o próprio líder define como um sistema de governança pessoal baseado em ciclos de revisão a cada sete anos.

Ao longo da vida, Veiga já percorreu três vezes o Caminho de Santiago, somando mais de 3 mil quilômetros caminhados, além do Caminho de Fátima. Parte dessa experiência foi transformada no livro Arqueiro da Luz, onde ele compartilha 33 lições construídas durante 33 dias de caminhada.

Mais do que relatos sobre peregrinação, a proposta apresentada por Veiga gira em torno de disciplina, clareza e revisão constante de prioridades. Em vez de defender expansão contínua sem reflexão, ele propõe a necessidade de recalibrar decisões antes que o excesso comprometa a direção.

A lógica da caminhada funciona como metáfora prática para a vida pessoal e corporativa. Durante a peregrinação, tudo o que é carregado precisa caber na mochila. Cada objeto exige justificativa. Cada excesso gera desgaste. Para Veiga, o mesmo acontece nas organizações: estruturas infladas, responsabilidades acumuladas e decisões mantidas apenas por apego acabam comprometendo eficiência, clareza e sustentabilidade.

“A cada passo, Veiga não percorre apenas um caminho — ele reescreve prioridades, fortalece propósito e reafirma um compromisso que não cabe em discurso: fazer da própria vida uma ferramenta de transformação social”, destaca um trecho da reflexão construída durante a jornada.

A proposta do chamado “ciclo dos sete anos” surge como um contraponto ao modelo de liderança baseado exclusivamente em produtividade contínua. Em vez de acelerar indefinidamente, Veiga defende a importância de criar checkpoints estratégicos capazes de revisar estruturas, eliminar excessos e reposicionar objetivos.

Segundo ele, o risco silencioso de muitos líderes está justamente em continuar avançando sem perceber se ainda seguem na direção correta.

Além da trajetória como líder social, Dom Veiga também consolidou o Adote um Cidadão como um hub social de atuação nacional, promovendo iniciativas ligadas à inclusão, educação e geração de oportunidades para pessoas com deficiência ao longo de quase três décadas.

A nova peregrinação entre Roma e Assis reforça esse conceito de alinhamento entre propósito e prática. Mais do que um afastamento temporário da rotina, a experiência simboliza um retorno deliberado à essência, à revisão de prioridades e à construção de decisões mais conscientes.

Em um ambiente onde velocidade costuma ser confundida com evolução, a reflexão proposta por Dom Veiga aponta para outro caminho: o de que clareza não nasce do acúmulo, mas da capacidade de revisar, simplificar e escolher com precisão.

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