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quinta-feira, 18 abr, 2024
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Artigo Por Ju Luz: A autoestima da mulher preta

Se você é uma mulher preta, já deve ter ouvido falar ‘nossa como você é metida’, ‘você vai nesse lugar’, ‘nossa esse seu cabelo é diferente, mas é lindo viu’, ‘posso colocar a mão’ “

Porque uma mulher preta com uma boa autoestima é chamada de metida? Eu como mulher Preta vou te responder, mas primeiro vamos entender o que é autoestima.

Autoestima: Qualidade de quem se valoriza, se contenta com seu modo ser e demonstra, consequentemente, confiança em seus atos e julgamento (Fonte: dicionário Definições de Oxford Linguagens).

A situação da mulher preta e a sua autoestima é mais complexa do que imaginamos, as mulheres pretas constantemente estão sendo rebaixadas, temos sempre que provar que somos capazes, sempre estão nos questionando por não seguir um padrão, mas, eu te pergunto que padrão é esse?

Seus cabelos são “ruins”, são escuras demais, nariz largo demais, sem acesso a ‘ocupar’ uma posição da qual possam se orgulhar, não são capazes de muita coisa.

A influencer alisava os cabelos para ser ‘aceita’

A resistência e luta dessas mulheres, o fortalecimento de sua autoestima, a consciência de que são fortes, inteligentes e corajosas. E que têm direito a autonomia sobre seus corpos, cabelos, carreira e sexualidade.

Eu entendo isso hoje, mas, até então, eu não sabia o que era autoestima, eu sempre fui muito observadora, quando criança eu era feliz e não tinha problema com meu cabelo, nem com a minha cor, lembro-me que minha mãe, colocava flores no meu cabelo, fazia tranças e ‘maria-chiquinha’.

Até que chegou a tão sonhada escola, o tempo foi passando e, com isso, os complexos foram crescendo juntos. Na escola era discriminada pela cor da minha pele, pelo meu cabelo, por morar em uma casa de dois cômodos na periferia de SP. Então cresci com a ideia de que eu era feia e que pra eu me encaixar em qualquer “turminha” das descoladas, eu tinha que ser como elas. Perdi minha identidade e assim foi minha pré-adolescência, adolescência e parte da minha vida adulta.

Sempre mudando para as pessoas me aceitarem, sempre sendo o que não queria ser para poder estar naquele grupo. Ouvi muitas pessoas falando que tal mulher era metida, ia olhar a tal mulher e ela era negra, eu ficava pensando, mas, porque metida? Porque ela estava frequentando um bom restaurante? Porque ela estava ocupando uma posição de líder, porque estava usando a roupa de grife, porque estava se sentindo linda e declarava isso, mas nunca debatia com a pessoa que falava isso, pois eu tinha que ser ‘aceita’.

Juliana Luz durante o período de transição capilar

Até que um certo dia acordei, tudo começou quando entrei na Transição capilar (assunto para um outro bate-papo). Eu falo para todos que passei não apenas por uma transição de cabelo, mas, foi um processo de redescoberta, uma ‘Juliana’ que não se conhecia, não sabia o quão forte era, e que sou linda da maneira que o “Criador” me fez, como li no livro (Autoestima blindada), Deus fez a sua obra-prima perfeita no caso eu e você, porém a co-criadora da nossa história sou eu e você, pois Deus me deu o Livre-arbítrio.

O que eu quero dizer com tudo isso? Você, apenas você, consegue mudar a sua história e ser protagonista da sua vida , não julgue as pessoas que já são protagonistas da sua própria história , quando você ver uma mulher se achando linda, poderosa, gostosa e se for uma mulher preta então, não a questione ou fale ‘nossa que mulher metida ou que preta metida’, você não sabe o quanto demora para a construção da autoestima da mulher preta, você não sabe o processo que aquela preta passou para chegar aonde ela está.

Ju Luz com cabelos ondulados após fase de transição capilar

Hoje nada e ninguém me abala com a opinião e defendo, sim, o meu ponto de vista. Nós como mulheres pretas podemos sim estar em lugar de destaque, liderança, política e presidência, podemos sim, frequentar e apreciar uma boa gastronomia, podemos estar e ser quem quisermos ser.

 

Um beijo, fiquem com Deus e até a próxima.

Juliana Luz

SAWUBONA SHIKOBA: Eu vejo você. A importância do pertencimento.

 

 

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