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quinta-feira, 14 maio, 2026
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Pets

Senado aprova regras para guarda de pets e reacende debate jurídico

Projeto aprovado propõe divisão de convivência e despesas em divórcios, mas ainda trata pets como bens. O avanço de um projeto aprovado pelo Senado que regulamenta a guarda compartilhada de pets em casos de separação reacende um debate jurídico cada vez mais presente no Brasil: qual é, de fato, o lugar dos animais dentro da legislação?

A proposta estabelece critérios para divisão de convivência, responsabilidades financeiras e até restrições em cenários de conflito entre ex-casais. Ainda assim, especialistas apontam que o texto carrega uma contradição central — os animais continuam sendo tratados juridicamente como propriedade.

Lei tenta organizar o que já é realidade

Nos últimos anos, o aumento do vínculo afetivo entre tutores e pets transformou os animais em parte essencial da estrutura familiar. Esse movimento tem chegado aos tribunais, com disputas que envolvem não apenas bens materiais, mas relações emocionais complexas.

Para a advogada Monica Perez, o projeto resolve parte do problema prático, mas não acompanha a evolução social.

Segundo a especialista, a legislação ainda parte do princípio de que o animal é um bem móvel, o que limita o reconhecimento da relação afetiva existente entre humanos e pets.

Afeto não cabe na lógica de propriedade

Hoje, no Código Civil brasileiro, os animais são classificados como bens semoventes — na mesma categoria jurídica de objetos patrimoniais.

Essa definição entra em conflito com a realidade atual, em que os pets ocupam um papel emocional significativo, muitas vezes comparável ao de membros da família.

A nova regulamentação tenta trazer previsibilidade às disputas, mas ainda não aborda o animal como sujeito de interesse próprio — um ponto já debatido em outros países.

Conflito vai além da divisão

Além das questões legais, o tema envolve impactos emocionais tanto para os tutores quanto para os próprios animais.

Especialistas destacam que o pet pode sofrer com a separação, mesmo sem compreender o que está acontecendo, o que torna a decisão sobre convivência ainda mais sensível.

Em cenários mais extremos, o animal pode até ser utilizado como instrumento de disputa emocional entre as partes, ampliando o nível de conflito.

Um primeiro passo ainda insuficiente

Embora represente um avanço na organização jurídica dessas situações, o projeto ainda não resolve a principal questão: a necessidade de atualização do entendimento legal sobre os animais.

A discussão sobre reconhecer pets como seres sencientes — capazes de sentir e estabelecer vínculos — ainda caminha lentamente no Brasil, enquanto a sociedade já demonstra uma mudança clara nesse sentido.

O resultado é um cenário em que a lei tenta enquadrar relações afetivas profundas dentro de uma estrutura jurídica que ainda não foi completamente revisada.

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