A artista visual Mirela Cabral participa da SP-Arte 2026 com um projeto inédito que marca um novo momento em sua trajetória. Representada pelas galerias Paulo Darzé Galeria e Piero Atchugarry Gallery, a artista apresenta uma investigação que tensiona pintura, objeto e circulação da obra, propondo um novo gesto dentro do circuito tradicional da arte.
No evento, Mirela lança uma série inédita que nasce da fricção entre o tempo da pintura e a urgência contemporânea. As obras, feitas em tinta a óleo sobre linho — técnica que pode levar anos para secagem completa — dialogam com o desejo imediato de posse e consumo da arte. A partir dessa reflexão, surge o projeto central apresentado na feira: uma edição limitada de pinturas originais em pequeno formato incorporadas a uma bolsa.
A proposta desloca a pintura de sua condição tradicional e a transforma em objeto em circulação. Cada peça carrega uma obra original, questionando o próprio conceito de reprodução. Mais do que suporte, a bolsa se torna um dispositivo: a obra pode ser transportada, utilizada no cotidiano ou instalada na parede, cabendo ao colecionador decidir sua forma de uso.
Mirela iniciou sua trajetória na pintura figurativa, migrou para a abstração e agora retorna à imagem com uma abordagem expandida, incorporando diferentes mídias e camadas conceituais. O resultado é uma produção que transita entre linguagens e desafia limites, definida pela artista como uma prática “multimídia”.
O projeto também propõe uma inversão simbólica: a obra deixa de ser exclusivamente contemplativa e passa a circular no mundo. Nesse gesto, a artista questiona não apenas a lógica de consumo, mas também a rigidez dos formatos expositivos e a distância entre arte e vida.
O desenvolvimento da peça passou por um processo experimental, evoluindo de caixa a maleta até chegar ao formato final de bolsa. A solução surgiu a partir da investigação sobre funcionalidade e estrutura, consolidando o objeto como extensão da pintura. Para isso, o designer Jubba Sam, criador da Dod Alfaiataria, colaborou no desenvolvimento da alça da bolsa.
Como desdobramento conceitual, a artista disponibilizará em seu Instagram um PDF com instruções para a construção da bolsa, em referência ao designer italiano Enzo Mari, conhecido por defender a democratização do design por meio de projetos abertos.
A participação ativa do público é um eixo central do trabalho. Ao permitir que o colecionador leve a obra consigo imediatamente após a aquisição e escolha sua forma de uso, Mirela aproxima o espectador do processo artístico, criando uma experiência que ultrapassa os limites tradicionais da exposição.
Na SP-Arte 2026, as obras serão apresentadas tanto na parede quanto incorporadas às bolsas, reforçando a dualidade entre pintura e objeto e dialogando com uma tradição da arte brasileira que entende a obra como experiência e atravessamento.





