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segunda-feira, 15 abr, 2024
Portal Big ABC by Juliana Bontorim
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Quando você não sabe o que é melhor The Good Place ou The Bad Place?

Já avisamos que contém spoiler, mas a gente não consegue ficar sem dizer para vocês, que você PRECISA (DO SINÔNIMO NECESSITA, AGONIZA, BUSCA E TALS ) assistir a The Good Place.

The Good Place chegou, despretensiosamente, para abordar temas relativos à vida e o que fazemos dela, mas com a logística reversa: tudo se passa após a morte! Usando metáforas e temas filosóficos complicados (Platão, Sócrates e Kante estão aí no meio), mas que foram trabalhadas de uma forma natural e em nenhum momento pareceram destoar da narrativa.

Assim como Eleanor, desde o começo, os espectadores são levados pelo prof. Chidi a mergulhar em um oceano de pensadores e ideias que somente anos de faculdade nos ajudariam a entender.

E tudo poderia ficar por aí, na tentativa de explicar algo inexplicável a alguém que só quer se distrair.

Mas não foi assim que aconteceu.

Fique atento!

Do início ao fim, não tiramos os olhos e a mente das crises existenciais, dos problemas altamente humanos e das tentativas de pertencer ao Lugar Bom, principal objetivo dos personagens.

Para resumir a série, se é que podemos fazer isso com uma produção tão ampla, trata-se de um grupo composto por quatro humanos que encerraram sua jornada na Terra e foram para o Além Vida. São eles Eleanor, Chidi, Tahani e Jason.

No início, foram apresentados ao Lugar Bom, uma representação do que seria o Céu. Para chegar lá, as pessoas recebem pontuações e, aquelas com um alto número recebem seu lugarzinho no “Paraíso”.

Eles são alocados em um bairro, em casas que seriam suas escolhas ideais, combinados com a “alma gêmea”. Eleanor tem Chidi como seu parceiro e Tahiani, Jason.

Além disso, uma importante personagem é Janet, um sistema de pesquisa que tem as respostas para tudo e, não importa quantas vezes perguntem, ela não é um robô e nem uma mulher.

Prepare-se

Logo no começo, Eleanor percebe que sua ficha foi trocada e estar no Lugar Bom não é o seu destino. Ela busca a ajuda de Chidi para aprender como se tornar uma pessoa melhor, ainda que não revele o seu segredo de estar lá por engano.

Aos poucos, os outros colegas são descobertos como falhas do sistema também, tendo em vista que eles não conseguiram a pontuação – absurdamente alta- e necessária para chegar até o merecido “Paraíso”.

Descobrem, por fim, que aquele era somente um plano para o “sofrimento eterno”.

O plano seria somente a tortura feita pelo arquiteto do bairro, Michael. Mas tudo muda quando esses quatro humanos começam se tornam melhores, algo nunca imaginado.

Toda vez que os humanos percebiam o seu plano maléfico, ele reiniciava o “jogo”.

Ao longo da série, entendemos que a experiência deles é como um “The Sims”, mas, não importava quantas vezes que o jogo era reiniciado, Eleanor, Chidi, Tahani e Jason sempre se encontravam e se tornavam melhores.

A trama

Isso gerou uma mudança em Michael, arquiteto do bairro. Agora não era mais uma questão de torturar os humanos, mas de fazê-los merecer o espaço no real Lugar Bom.

Entre as tentativas, algumas oficiais e outras sem autorização, eles acabaram voltando para a Terra, foram para o Lugar Ruim, para um lugar mediano, encontraram-se, acabaram se separando e, ao fim, chegaram para a batalha final: mudar o sistema de pontuação.

Todas as tentativas, falhas ou bem-sucedidas, uma coisa era certa: a pontuação era injusta.

Para mudar isso, era necessário convencer A Juíza! (De quebra, fazer um trato com um demônio do Lugar Ruim). Foi necessário muito trabalho em equipe, novas ideias e exemplos, retornar à Terra, fazer um novo bairro com outras cobaias, chamar um ator famoso… tudo para que a Juíza não reiniciasse a Terra porque, convenhamos, em muitos momentos a humanidade no colaborou com a defesa).

E é aqui que entramos no ponto. A última temporada. A investida final do grupo para tentar salvar o mundo, que está a ponto de ser destruído já que a humanidade, no geral, não conseguiu o nível de melhora possível.

Depois de muita insistência e luta, a luz no fim do túnel vem da explicação embasada na filosofia de Chidi.

Os humanos, no além vida, devem merecer oportunidades justas de pontuação. Sofrendo com suas próprias fraquezas e situações gatilho. Assim como o grupo original.

Quantas tentativas forem necessárias. Porque os humanos têm essa capacidade. Só precisam que alguém confie e dê oportunidades suficientes.

Vencida essa batalha, o quarteto original vai ao real Lugar Bom para o último desafio. A glória da eternidade com tudo o que almejam.

No entanto, ter somente o que desejam não é o suficiente. Entendendo a essência humana, o que incentiva e traz a urgência de querer evoluir e conhecer o que existe de bom e interessante é saber que aquilo é finito.

E a eternidade tornava o prêmio do lugar bom sem sentido. Um entendimento de que todos os humanos, quando se acomodam, não conseguem aproveitar até as melhores coisas do mundo.

A história

Pensando nisso, é criado um portal dentro do Lugar Bom para que as pessoas, ao se sentirem prontas e plenas de que encerraram seus ciclos, retornem ao universo com energia.

Mas não é uma situação do tipo “entrar num buraco sem fim”, mas reunir-se com o centro do universo, retornar à essência. E cada pessoa tem o direito a escolher seu tempo, ou como dizem na série, seu Jeremy Bellamy.

E a maravilha é que as pessoas, de uma forma ou de outra, têm uma chance real de entrar no “Céu”. A série entende e reforça que somos humanos, passíveis de falhas e mil vacilos, sejam eles na Terra ou no “Céu”. Mas saber que existe a possibilidade de tentar de novo, essa fé que investida, renova o senso de empatia dentro e fora da telinha.

Ser humano é tão único por suas infinitas possibilidades, para o bem ou para o mal, que até um arquiteto do além tem o desejo de vivenciar essa experiência que chamamos comumente de vida. Michael inverte os papéis e saí do Lugar Bom para viver e, assim, merecer sua vaga real, mostrando o quão linda é a trajetória humana.

A série

Depois de quatro temporadas, ver nossos amigos, que já saíram do status de personagens, conquistarem a plenitude, encontrarem o equilíbrio entre seus desejos e suas vitórias, chegarem ao fim da lista de conquistas e entrar num estado de calma, como se todas as peças tivessem, ao fim, sido encaixadas, é reconfortante, triste e maravilhoso. Tudo ao mesmo tempo.

Nas palavras de Chidi, citando a sabedoria oriental, a última passagem não é uma questão ligada à lógica ou à filosofia de “nunca chegamos à resposta final das perguntas”, mas o caso de ser “uma onda no oceano”. Ainda que, após o seu pico, a onda desapareça aos olhos dos humanos, a água retornou ao seu lar, o aglomerado de partículas do oceano. Assim como os humanos, que ao transpor o portal, tornaram-se energia cósmica do universo. Tocando as pessoas e fazendo parte de novas histórias.

E como uma onda que retornou ao oceano, sem deixar de existir ainda que não a enxerguemos, The Good Place entra na lista de assistidos, volta a fazer companhia aos outros títulos do catálogo, mas sempre fará parte daqueles que tiveram a alegria de acompanhar cada episódio.

 

** Quais são os pontos principais aprendidos na série?

  • Humanos podem melhorar, ainda que precisem de muitas oportunidades para consertar suas (muitas) falhas.
  • Nem todo mundo vai para o Lugar Bom, ainda que tenha diversas oportunidades, mas podemos perceber que o número de gente que caiu no julgamento do Lugar Ruim era muito errado.
  • No geral, nós realmente “pontuamos” as pessoas segundo regras muito rígidas, esquecendo de entender o fator humano daquela falha ocorrida.
  • Não é só de pensadores ocidentais que vivemos, o oriente tem explicações lindas para as nossas angústias.
  • Estar cercado de pessoas que te impulsionam a ser melhor é essencial para a evolução dos humanos.
  • Saber que tudo tem um prazo e um final faz com que os humanos não caiam na acomodação (o que pode ser altamente prejudicial para a evolução)
  • Todos somos parte de um universo, uma energia que, enquanto vivemos, está transformada nas nossas ações e experiências humanas, mas quando vamos embora (para o destino final, não importa qual seja), retornamos ao estado de energia móvel, que viverá para sempre através daqueles que nós tocamos.
  • Sempre podemos aprender algo novo, melhorar. Ser a melhor versão de nós mesmo.
  • TODOS têm a capacidade de evoluir! Ainda que uns demorem mais do que os outros.

 

 

 

Sobre a escritora do artigo:

Andressa Rivas – audiovizueira de formação, leitora por vocação, blogueira por diversão.

Não, eu não vou dar as sinopses mais detalhadas do mundo.

Não quero estragar a leitura de ninguém. Mas às vezes vai rolar spoiler *_*. #MeJulguem

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