O Hospital da Mulher de São Bernardo, unidade que integra o complexo de saúde do município, registrou um marco inédito com a alta hospitalar de Ísis Manuelly Ribeiro do Nascimento, recém-nascida prematura extrema que nasceu com apenas 440 gramas e 26 semanas e 1 dia de gestação — o menor bebê já nascido na maternidade.
Após 4 meses e 10 dias de internação, sendo 118 dias na UTI Neonatal e mais 14 dias no berçário, Ísis deixou a unidade respirando em ar ambiente, alimentando-se exclusivamente por aleitamento materno e pesando 2.260 gramas.
Até então, o menor bebê a receber alta na instituição havia nascido com 515 gramas. A trajetória de Ísis se tornou, portanto, um fato inédito na história da unidade, referência em gestação de alto risco.
Gestação de alto risco e desafios clínicos
Filha de Sarah Cesar Ribeiro, de 21 anos, e de Rogério Aparecido do Nascimento Júnior, 28, a bebê nasceu por cesárea em razão de restrição de crescimento intrauterino e pré-eclâmpsia materna. A família, moradora do bairro Alvarenga, realizou todo o pré-natal pelo SUS, inicialmente na UBS Alvarenga e, posteriormente, no Hospital da Mulher.
Durante a internação, Ísis permaneceu 104 dias intubada em ventilação mecânica e totalizou 116 dias em oxigenoterapia, enfrentando múltiplos desafios clínicos comuns à prematuridade extrema.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 15 milhões de bebês nascem prematuramente a cada ano no mundo — aproximadamente 11% dos nascimentos globais. É considerado prematuro todo bebê nascido antes de 37 semanas completas de gestação. Ísis se enquadra na categoria de prematuro extremo, por ter nascido antes de 28 semanas, além de ser classificada como recém-nascida de extremo baixo peso (menos de 1.000 gramas).
No Hospital da Mulher, a taxa de prematuridade acompanha a literatura científica, com média de 10%.
Método Canguru e humanização como pilares
Apesar da gravidade inicial, o atendimento multidisciplinar foi decisivo para a recuperação da bebê. Credenciado como Hospital Amigo da Criança, o equipamento priorizou o aleitamento materno desde o início, estimulando a ordenha e o uso do leite materno como base nutricional.
Paralelamente, foi iniciado precocemente o Método Canguru, estratégia que promove o contato pele a pele entre mãe e bebê, fortalecendo o vínculo afetivo e contribuindo para o desenvolvimento clínico.
Na primeira consulta pós-alta, realizada em 4 de fevereiro de 2026 no Ambulatório Canguru, Ísis apresentou evolução positiva: saiu com 2.260 gramas e já pesava 2.432 gramas no retorno.
Para a diretora técnica do Hospital da Mulher, Dra. Adlin Veduato, o caso reforça a importância do investimento público em UTI Neonatal de alta complexidade e no cuidado humanizado. “O desfecho da história da Ísis demonstra a importância de uma rede de atenção materno-infantil forte, integrada ao SUS e comprometida com a vida”, afirmou.
Acompanhamento até os 7 anos
Por ter sido prematura extrema e ter apresentado intercorrências graves, Ísis seguirá em acompanhamento ambulatorial especializado até os 7 anos de idade. O monitoramento inclui desenvolvimento neuropsicomotor, visão, audição e crescimento.
O secretário de Saúde de São Bernardo, Dr. Jean Gorinchteyn, destacou que o caso consolida o papel do SUS na assistência de alta complexidade. “Mais do que um marco histórico, essa trajetória evidencia a capacidade da rede pública em oferecer cuidado qualificado e acompanhamento contínuo às famílias que enfrentam a prematuridade extrema”, afirmou.





