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quinta-feira, 14 maio, 2026
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Colunista Paola ZaneiColunista Paola Zanei 

Encerramento de ciclo: Fim de temporada da vida

Aí a gente passa na frente de um barzinho que fechou e pensa quantas vezes veio aqui depois da faculdade, com a turma beber e jogar conversa fora. Que saudade! Ou passa pela praça agora abandonada, onde tantas vezes brincou com os vizinhos quando criança.

A vida é feita de temporadas, como nas séries de televisão, de certa forma. Durante um tempo fazemos as mesmas coisas, encontramos as mesmas pessoas, vamos aos mesmos lugares, criamos laços, nos divertimos, ou choramos, trabalhamos para caramba até. E não tão de repente aquela rotina acaba, aquelas coisas boas começam a se desintegrar no ar como fumaça e passam a não acontecer mais com tanta freqüência, até que param de vez.

Isso é uma coisa normal. Tudo muda nessa vida, o bom e o mal, o que incomoda e o que nos alegra. Não estamos estáticos esperando os dias passarem. Nos movemos, tomamos decisões e somos frutos das decisões alheias. E aí, as coisas vão se resolvendo, novos problemas aparecendo, as velhas questões se solucionando. Surgem novos amigos – é preciso mudar o elenco – e novos cenários aparecem para abrigar novas emoções.

Mas não é fácil lidar com o fim de uma boa temporada. Principalmente uma temporada que nos emociona e nos diverte, com amigos queridos e uma história envolvente. Quando a gente olha para o tempo. Sim, às vezes ele se materializa num momento para mostrar que nada está a salvo da sua ação implacável. Quando esse momento acontece, dá aperto no coração, em casos extremos, nó na garganta e lágrimas nos olhos.

A vontade é de reprisar a temporada para assistir de novo e infinitamente as cenas das festas divertidíssimas na garagem daquela casa onde hoje funciona uma clínica médica e abraçar as pessoas que já não estão mais neste plano. Aí nessa hora, em que a gente percebe que não tem reprise, é preciso sacudir rapidamente o pensamento. Tirá-lo do choque bem depressa. É preciso fazê-lo andar, respirar, dançar e ir em frente. Porque a vida é assim mesmo: seqüência de ciclos pra rir e chorar com desfechos emocionantes sempre.

O conteúdo deste texto é de total responsabilidade da autora.

Paola Zanei (@paolazanei) tem 54 anos e é formada em comunicação desde 1994. Atua há mais de 30 anos no jornalismo, a maior parte deste período como assessora de imprensa. Mas desde os 15 anos escreve poemas e crônicas sobre o cotidiano,, os fatos da sua vida e as emoções que os envolvem. Em 2024, lançou o livro “Poemas para Queimar Certezas”  com poemas selecionados entre os escritos nos últimos anos.

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