Adorei saber que entramos no ano 1. É muito reconfortante a ideia de que podemos começar de novo, que temos a chance de sair do zero e voltar a contar em ordem crescente, sempre pra cima. Dois mil e vinte seis anos são um tempo longo, em que a humanidade vem caminhando, às vezes avançando lentamente, às vezes parecendo estar de ré. Muitos retrocessos pipocaram pelo mundo e o velho 2025 correu o quanto pode para passar a bola logo para o jovem 2026, também chamado por alguns de ano 1.
A explicação vem da numerologia, que diz que as coisas acontecem em ciclos de 9 anos, na minha, na sua, na história do seu pais e do Mundo. Para saber em que posição nessa jornada nos encontramos hoje, temos de somar todos os números, até que sobre apenas um numeral, ou seja 2 + 0 + 2 + 6 = 10 , aí é preciso somar esses dois numerais e 1 + 0 = 1.
Dizem que esse número traz a energia renovação, do recomeço para fazer tudo de um jeito novo, mais maduro, mais consciente. Eu gosto de saber que as energias deste ano são propícias para mudanças, finais de ciclos, evolução. Eu estou surfando nessa onda e buscando dar o melhor e mais otimista lado de mim nesse ano que começa
Os numerólogos devem estar felizes. Suas palavras nunca foram tão ouvidas como agora. Conseguiram tirar o protagonismo da roupa branca no Ano Novo. Esse ano, bastava somar o seu ano de nascimento, descobriria a cor ideal para você aproveitar ao máximo a energia boa do ano 1.
No meu caso era o número 9, descobri que era azul marinho. Mas me rebelei, nesse momento. “Zilhões” de anos usando branco na virada e de repente o branco ia me apagar para o universo? Tenha dó.
Então eu, que já me vesti de branco, de amarelo, usei calcinha nova, usei calcinha vermelha, rosa e amarela, já subi na cadeira a meia noite, chupei sete uvas na falta de sete ondas pra pular, me entupi de lentilha, escrevi metas e guardei os caroços de roman, decidi não fazer nada neste ano. Escolhi uma roupa bonita e fresca – porque estava um calor surreal – comi muitas coisas gostosas, tomei espumante e à meia-noite, abracei as pessoas que amo e, principalmente, agradeci a Deus pelo que passou e pela chance de recomeçar a contagem de um jeito novo. Embora sempre seja tempo de recomeçar a contar, independente da numerologia. Mas é preciso querer.
E é em parte por causa disso que estou aqui, na primeira de muitas crônicas que publicarei no Portal Big ABC. Falo de minhas experiências geralmente, mas”quem fala de si fala do mundo todo”, já dizia Guimarães Rosa. E com o olhar de quem entra no Ano1 cheia de energia renovada, te convido para seguir comigo essa jornada.
Paola Zanei (@paolazanei) tem 54 anos e é formada em comunicação desde 1994. Atua há mais de 30 anos no jornalismo, a maior parte deste período como assessora de imprensa. Mas desde os 15 anos escreve poemas e crônicas sobre o cotidiano,, os fatos da sua vida e as emoções que os envolvem. Em 2024, lançou o livro “Poemas para Queimar Certezas” com poemas selecionados entre os escritos nos últimos anos.
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