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quinta-feira, 14 maio, 2026
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Mulheres em Chamas: Humor e Menopausa no Palco

O espetáculo “Mulheres em Chamas” tem lotado teatros e confirmado algo que por muito tempo foi visto como tabu: mulheres querem — e precisam — falar sobre menopausa. A montagem, que já atraiu mais de 3 mil espectadores no Teatro UOL, no Shopping Pátio Higienópolis, segue agora para o Teatro Bradesco, em temporada até 6 de dezembro, ampliando ainda mais sua capacidade de público.

Criada e protagonizada por Camila Raffanti, Juliana Araripe e Miá Mello, todas acima dos 40 anos, a peça tem direção de Paula Cohen e apresenta um recorte bem-humorado, sensível e absolutamente identificável do universo feminino contemporâneo.

Menopausa no centro da conversa — e das gargalhadas

A recepção calorosa do público mostra que existe demanda por narrativas que abordem o envelhecimento feminino com naturalidade e humor. Mulheres de todas as gerações — mães, avós, filhas, tias e amigas — se reconhecem nos temas e sintomas retratados em cena.

Durante a sessão, minha mãe, de 61 anos, não conteve o entusiasmo: “Na minha época era um tabu, não se falava disso”, comentou entre risos, reconhecendo em cada fala e gesto das personagens um pouco de sua própria experiência.

Três mulheres, 70 sintomas e um elevador parado

“Mulheres em Chamas” parte de uma situação simples: três desconhecidas ficam presas em um elevador por 17 minutos. Sem sinal de celular e sem escapatória, o que começa como um contratempo vira uma catarse coletiva. Em meio aos mais de 70 sintomas possíveis da menopausa, as protagonistas dividem inseguranças, medos e a sobrecarga de vidas que insistem em correr mais rápido do que o corpo acompanha.

Cada uma representa um recorte comum da vida adulta:

  • A advogada casada e mãe de quatro filhos, tentando equilibrar mil papéis.

  • A recém-separada, mãe de pet, enfrentando as ansiedades de uma nova vida.

  • A dentista que deixou para trás um noivado de 17 anos e tenta se reencontrar.

Juntas, elas discutem corpo, envelhecimento, autoestima e pressão social — tudo isso entre crises de riso e momentos de vulnerabilidade.

Humor ácido sobre um tema real

Um dos pontos altos da peça é a forma espirituosa como aborda lapsos de memória — representados por um “branco” que ganha voz própria — e o caos hormonal que acompanha essa fase da vida. A plateia vibra, ri e se reconhece.

Ao final, fica clara a mensagem central: envelhecer é inevitável, mas enfrentá-lo em rede — entre amigas, irmãs e outras figuras femininas — torna tudo mais leve. Não à toa, o público majoritariamente feminino sai do teatro com a sensação de acolhimento, identificação e, principalmente, alívio por ver suas vivências legitimadas no palco.

“Mulheres em Chamas” mostra que falar de menopausa pode ser divertido, profundo e necessário — especialmente quando feito com tanta verdade e entrega.

Esse texto foi escrito em colaboração com a jornalista Natália Regazzo
https://nregazzo.substack.com/

Foto: Edu Pimenta/ Divulgação

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