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quinta-feira, 14 maio, 2026
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Colunista Paola Zanei

Sacolas, gavetas e janelas

Pare de problematizar. Acordei com essa ordem que o meu inconsciente , onde estão guardadas todas as coisas que sei sem saber, deu ao meu consciente responsável, que já tinha se arrastado durante todo o dia de ontem carregando uma sacola pesada, cheia de problemas.

Quando ouviu aquilo, meu consciente sentou-se para pensar sobre o assunto, largando a sacola ao seu lado; foi aí que ele pôde respirar. Porque, de fato, se formos dar uma boa olhada dentro da sacola, vamos achar mais problemas imaginários do que problemas de verdade.

Alguns são derivados do passado: coisas que a gente fez ou fizeram conosco, que não conseguimos esquecer ou digerir. E, então, essas coisas ficam pesando na alma. Como se adiantasse algo revisitá-las diariamente em um flashback eterno que não tem mais como ser alterado.

Tem também o medo do futuro. Outro problema imaginário. Ficamos preocupados sobre como será nossa vida daqui a alguns anos ou décadas. Se estaremos bem de saúde; se teremos dinheiro; se as pessoas que amamos estarão por perto ou se irão embora para sempre, por vontade própria ou vontade de Deus.

São questões sobre as quais temos muito pouco poder. Sobre o futuro, se fizermos tudo direitinho hoje, ainda temos a chance de que ele seja mais próximo do que esperamos. Mas, como muita coisa na construção desse futuro não depende apenas de nós, não adianta sofrer por antecipação, como dizem.
Deixemos o passado — que é imutável e já teve sua carga de atenção quando era presente — como uma gaveta fechada, cheia de fotografias. Deixemos o futuro — que é uma hipótese que só se define quando vira presente — como uma janela para olhar antes de voltar a se ocupar do hoje.

O hoje bem que poderia ser desconectado do passado e do futuro para ser absorvido em sua plenitude, livre de problemas ilusórios. O hoje único é tudo o que temos, cheio de solicitações urgentes que pedem respostas imediatas. Para cada problema, uma solução. Desde que sejam problemas reais, não imaginários.

O conteúdo deste texto é de total responsabilidade da autora

Paola Zanei (@paolazanei) tem 54 anos e é formada em comunicação desde 1994. Atua há mais de 30 anos no jornalismo, a maior parte deste período como assessora de imprensa. Mas desde os 15 anos escreve poemas e crônicas sobre o cotidiano,, os fatos da sua vida e as emoções que os envolvem. Em 2024, lançou o livro “Poemas para Queimar Certezas”  com poemas selecionados entre os escritos nos últimos anos.

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